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Esquizofrenia 3

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--> Assumida a cura, algumas luminárias doadas, outras abandonadas, a vida deslocada geograficamente e a abundância de calor e sol todos os dias formam um quadro novo e ausente de qualquer voz externa. Já sabia que um dia poderia voltar a ouvir os objetos, so que pensei poder me safar. Não lhes dava ouvidos, nao lhes deixava aproximar. Nem mesmo aos baobás com a imponência e o aspecto de sábios anciãos dei crédito de proximidade. Porem, conseguiram ser muito mais sutis, já estavam a gritar e eu sequer havia percebido qualquer indicio de seu retorno. Muito mais incisivas, mais falantes, mais confusas, mais femininas e, paradoxalmente, silenciosas. Eu deveria ter imaginado. A solidão iria despertá-las. Tudo se passou quando voltei a escrever. E desta vez não escrevi a lápis, nem dei espaço para escutar objetos, passei a escrever no computador e logo já publicava na rede. A fineza de agora é que já não falam por si, falam pelos outros, pelo que os tantos outros dizem e escrevem....

Esquizofrenia 2

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A ultima vez que escrevi jà faz muito. Sei que sempre estou meio ausente nesta metamorfose entre borboleta e casulo, entre a ansia de ter algo para dizer e a certeza de que tudo ja foi dito, e pior: da melhor forma que poderia. Por essas e outras razões mantenho-me no siléncio absurdo de quem observa e, sobretudo, escuta. As luminarias andei distribuindo_ e é importante que se ressalve aqui que "distribuir" não significa entregar aleatoriamente sem critério algum, principalmente por se trarem de objetos bem mais que luminàrias, como bem se sabe_ e do casulo desteci algumas partes e boboletei para outro continente. Aqui ainda nao sei a que objetos dar ouvidos. Por enquanto mantenho-me no Inexpressivo _ como ja foi melhor dito por ela e não por mim_ Dá-me a tua mão: Vou agora te contar como entrei no inexpressivo que sempre foi a minha busca cega e secreta. De como entrei naquilo que existe entre o número um e o número dois, de como vi a linha de mistério e fogo, e que...

Esquizofrenia

Tudo começou com a mania de escrever a lápis. Queria escrever um conto sobre escrever com lápis, sobre como a escrita poderia ser mais pura e poderia “fluir” mais livremente se no papel pudesse deslizar essa mistura ereta e linear de madeira e carvão comum em todas as sociedades e classes do planeta. Comprei um pacote de lápis, apontei lápis, escrevi a lápis, pintei a lápis, investi nas lembranças da infância, depois nos sonhos, passei paras imagens das últimas viajens e ao final minha tese foi refutada. Contudo, na mesma semana, paralelamente ao enorme trabalho à lapis, um fenomeno estranho sucedeu na casa, algo é claro que só consegui perceber muito mais tarde, afinal encontrava-me muito ocupada com a tarefa que me havia proposto. Nos momentos que não estava escrevendo arrumei algumas coisas na casa, e acabei por embucetar a casa inteira. A embucetada se deu por causa de umas luminárias japonesas, sabe aquelas esferas de papel de seda com motivos japonesese e arcos de arame be...

LES AMANTS

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O GRANDE SILÊNCIO DOS ENAMORADOS " Há certas coisas das quais não se fala, apenas ouve-se as vozes do silêncio, até o dia do grande despertar" O misterioso no amor é a convergência dos amores de dois que, a sós, amam o outro.

Chocolates

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... (Come chocolates, pequena; Come chocolates! Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates. Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria. Come, pequena suja, come! Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes! Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho, Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.) ... Isso é um fragmento da Tabacaria do Álvaro de Campos (Fernando Pessoa 15-1-1928 ) Chocolates... comer chocolates, sorver o doce, o afago, o carinho e, principalmente, a verdade pelo corpo, pela boca. Somente pela pele, sem eurística, sem filosofia, desprovidamente de tudo, apenas pelo paladar. O próprio Pessoa define isso em outro momento (se bem que não é o Pessoa é o Alberto Caeiro) “Não basta abrir a janela Para ver os campos e o rio. Não é bastante não ser cego Para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma. Com filosofia não há árvores: h...

A Casa dos Budas Ditosos

Nesta semana me deparei com um livro que me fez tremer. Simplesmente uma das melhores descrições femininas da sua própria sexualidade que eu já li. Contudo é escrito por um homem. Não um homem qualquer, mas o João Ubaldo Ribeiro, membro da Academia Brasileira de Letras (apesar da Academia já ter perdido toda a sua credibilidade após ter aceito certos escritores auto-ajuda, como muito bem sabemos). Bem, mas não pude de deixar de postar um trecho deste que é maravilhoso. Trata-se de uma história narrada por uma velhinha que conta todas as suas digamos que "aventuras" através de uma linguagem direta e sem qualquer tipo de censura moral e além disso emite seus juízos contra a sociedade conservadora no proprio decurso de sua narrativa. O livro se chama : "a casa dos budas ditosos" e é lindo demais. Aí vai um pedacinho dos mais picantes, a primeira experiência sexual de nossa personagem. (para quem quiser baixar o livro inteiro: livroparatodos.net) ...

Aguardo

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Aguardo, equânime, o que não conheço ! Meu futuro e o de tudo. No fim tudo será silêncio, salvo Onde o mar banhar nada. Ricardo Reis